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Distrito Industrial de Grajaú será contemplado com plano para substituir lenha por gás natural no polo gesseiro

Sampaio 05/08/2026 22:58
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A Reunião contou com participação de representantes da SEDEPE, FIEMA, SENAI-MA E SENAI-PE

O Distrito Industrial de Grajaú deverá passar por uma importante transformação nos próximos anos com a implantação de um plano voltado à substituição da lenha pelo gás natural na produção de gesso. A iniciativa está sendo articulada pelo Governo do Maranhão e reúne órgãos públicos, entidades do setor industrial e especialistas em energia para estruturar a transição da matriz energética do polo gesseiro maranhense.

As primeiras discussões ocorreram durante reunião promovida pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos (SEDEPE), com a participação de representantes do SENAI Maranhão e Pernambuco, da FIEMA, da Secretaria de Estado da Indústria e Comércio (SEINC), da GASMAR e do Sindicato das Indústrias de Gesso e Calcário do Estado do Maranhão (SINDUGESSO-MA).

A proposta é utilizar como referência a experiência do Polo Gesseiro do Araripe, em Pernambuco, responsável por mais de 90% da produção nacional de gesso e considerado modelo na utilização do gás natural como combustível dos fornos de calcinação.

Além de reduzir os impactos ambientais, a mudança promete aumentar a eficiência dos processos industriais, melhorar as condições de trabalho nas fábricas e elevar a qualidade do gesso produzido. Atualmente, a maior parte das indústrias do setor utiliza lenha como principal fonte de energia, modelo que enfrenta desafios relacionados ao abastecimento, às exigências ambientais e ao rendimento dos fornos.

Durante o encontro, especialistas do SENAI de Pernambuco apresentaram estudos técnicos e compartilharam a experiência adquirida ao longo dos anos com a implantação do gás natural na indústria gesseira. O coordenador de Energia e Sustentabilidade do SENAI-PE, Ricardo Moura, destacou a importância da cooperação entre os estados. "Trouxemos toda a experiência acumulada em Pernambuco, mostrando os estudos realizados, os resultados alcançados, as vantagens e os desafios da mudança de matriz energética. Agora começamos a construir, junto ao Governo do Estado, à GASMAR, à ENEVA e aos empresários, o melhor caminho para tornar esse projeto viável no Maranhão", afirmou.

Na ocasião, também foi apresentado o Projeto Potencialize, iniciativa nacional voltada à eficiência energética em processos industriais térmicos. Atualmente incorporado ao Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), o programa poderá contribuir para financiar investimentos em modernização tecnológica nas indústrias maranhenses.

Para o presidente do SINDUGESSO-MA, Joeder Oliveira, a iniciativa representa o início de uma transformação aguardada há anos pelo setor. "Com enorme satisfação e reconhecimento ao empenho de todos da SEDEPE, começamos a tratar desse assunto. Esse foi o pontapé inicial que estávamos precisando para promover essa mudança de matriz energética, não apenas para a cadeia do gesso, mas para diversos outros segmentos industriais", ressaltou.

Joeder acrescentou que a implantação do projeto exigirá planejamento e integração entre as instituições envolvidas. "O que podemos deixar pronto é um planejamento bem estruturado, com etapas que temos que acompanhar, e o projeto de execução dessas ações disponível aos entes participantes. Esse é um projeto que demandará um tempo considerável, mas estamos reunindo todas as tratativas necessárias para viabilizar o nosso Estado como polo de desenvolvimento utilizando o gás natural", concluiu.

A expectativa é que a mudança fortaleça o Distrito Industrial de Grajaú, impulsione novos investimentos privados, gere empregos e estimule a qualificação da mão de obra especializada. A parceria entre o SENAI Maranhão e o SENAI Pernambuco também prevê a formação de profissionais para atender às novas demandas tecnológicas da indústria.

Como desdobramento da iniciativa, uma nova reunião foi agendada para o dia 6 de agosto, desta vez com a participação da ENEVA, principal produtora de gás natural do Maranhão. O objetivo será aprofundar os estudos sobre a viabilidade técnica, econômica e logística da expansão da oferta do combustível para atender o polo gesseiro de Grajaú.

O secretário-adjunto da SEDEPE, José Domingues Neto, destacou que a experiência bem-sucedida de Pernambuco poderá acelerar a modernização da indústria maranhense. "Hoje todas as nossas indústrias utilizam lenha, obtida a partir da vegetação do Cerrado. O que queremos é trazer para o Maranhão os aprendizados e os avanços conquistados em Pernambuco. Todos ganham com isso: o meio ambiente, a economia, a saúde dos trabalhadores e a qualidade do gesso produzido", afirmou.

Segundo Domingues, a SEDEPE continuará articulando o Governo do Estado, o setor produtivo e as instituições parceiras para consolidar uma agenda de descarbonização da indústria maranhense e criar as condições necessárias para que a transição energética se torne realidade nos próximos anos.

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